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Salva-vidas

 

É preciso preparo físico de atleta para exercer a profissão

Quando o assunto é salva-vidas, logo vem à cabeça as belas loiras de maiô vermelho do seriado norte-americano SOS Malibu. Na vida real, zelar pela segurança de banhistas em piscinas e praias exige preparo físico de atleta e o conhecimento de técnicas de resgate dentro e fora d'água.

Natação é pré-requisito para qualquer candidato a salva-vidas, que passa por treinamento puxado, que inclui curso de primeiros socorros. O profissional mantém a resistência aeróbia correndo ou nadando cerca de uma hora ao dia. O treino é complementado com três a quatro sessões de musculação por semana - sempre com trabalho de resistência - e simulações de resgate. A alimentação é de atleta: verduras, legumes, frutas e bastante líquido. Protetor solar, sunga, camiseta, apito, óculos escuros e boné compõem o uniforme.

 

O salva-vidas Ricardo Lourenção, 22 anos, trabalha em um parque aquático há 4 anos e afirma que a preparação é fundamental para o sucesso de uma ação de resgate. "Para saber agir no momento de crise, o profissional tem que estar bem preparado tanto física quanto emocionalmente para poder assistir à vítima." Gustavo Rodrigues, 19 anos, optou pela função por dois motivos. Admiração ao pai, bombeiro aposentado que foi salva-vidas em clubes, e por uma fratura na perna que poderia tê-lo deixado sem andar. A natação foi fundamental na sua recuperação. Apesar de considerar a melhor parte da profissão o momento que alguém é resgatado, explica que o mais importante é prevenir. "Temos que tentar evitar os problemas, por isso é importante conversar com as pessoas e explicar o que pode ser perigoso".


A preparação dos salva-vidas é intensa para alcançar a boa forma na alta temporada, quando os turistas invadem as praias e o trabalho é dobrado. Com o objetivo de ganhar resistência aeróbia, anaeróbia e muscular localizada, força, velocidade, agilidade e flexibilidade, o treinamento é dividido em corridas, natação e musculação. O 1º Tenente Maurício Cunha, responsável pelo treinamento físico do 17º Grupamento de Bombeiros do Litoral Paulista (comanda a área de Ubatuba a Ilha Comprida), explica que a preparação vai de abril a outubro, pois durante a temporada há somente o trabalho de manutenção.

 

Durante os meses de abril e maio, praticam corridas de 3 a 4 mil metros, com duração de 20 minutos. Ao longo do período a intensidade aumenta para 5 a 6 mil metros em 30 minutos. Os treinos de natação em piscina e mar aberto começam com 1 a 2 mil metros, com duração de 30 a 40 minutos, e chegam a 2 a 3 mil metros, em 40 a 50 minutos.

Intercalados aos treinos de natação e corrida são aplicados exercícios de resistência muscular localizada sem aplicação de cargas, como abdominais, flexão de braços, flexões na barra e flexões dorsais. Os exercícios nas primeiras semanas são de 3 a 4 séries com 15 a 20 repetições. No término do período, chegam de 5 a 6 séries com 20 a 30 repetições.

 

Entre junho e julho, a preparação física enfoca a força muscular e a resistência anaeróbia. O treino é composto por tiros de velocidade. Ao final de julho, ocorrem treinos de velocidade e agilidade, com circuitos de mudança de sentido e direção e tiros de 1 minuto intercalados por trote e caminhada de 2 minutos. Os treinos de natação continuam com tiros de 50, 100, 200, 300, 400 e 500 metros, gradativamente, com intervalos de descanso de 1 a 5 minutos. Nestes meses são reforçadas as instruções de técnicas de primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar com oxigenoterapia e salvamento e resgate de vítimas no mar com nadadeiras, flutuadores e pranchões.

 

Para complementar a preparação são feitos exercícios de musculação visando a resistência localizada. Na primeira quinzena são feitas 3 séries de 15 repetições, passando para 3 séries de 20 na segunda quinzena, 4 séries de 20 e, no final da etapa, 4 séries de 15 repetições com aumento da sobrecarga (sempre de baixa intensidade). Os grupos musculares trabalhados são peitorais, dorsais, ombros, abdominais, bíceps, tríceps, quadríceps, flexores posteriores da coxa e gastrocnêmios, com aplicação de dois exercícios para cada grupo. São eles: para peitorais - supino e peck deck; dorsais - puxada no pulley e remada; ombros - desenvolvimento e crucifixo lateral de pé; abdominais - prancha inclinada com sobrecarga e flexão de membros inferiores em direção ao tórax suspenso na barra; bíceps - rosca direta e rosca scotch ou concentrada tríceps no pulley e francês; quadríceps - cadeira extensora e agachamento; flexores posteriores da coxa e gastrocnêmios - mesa romana e flexão plantar dos pés.

No final da preparação, os treinos de musculação são reduzidos e as atividades visando resistência aeróbia intensificadas. As corridas voltam com média intensidade (5 a 6 mil metros), chegando, no final de outubro, a longas distâncias (7 a 10 mil metros). Os treinos de natação aumentam, atingindo percursos de 4 a 7 mil metros, em ritmo intenso.

Por Renata Rondini