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Limites

Se já é fantástico ser o primeiro entre tantos, melhor ainda ganhar das suas
próprias
limitações e provar que não há barreira para um esportista.

Esporte é sinônimo de vencer os limites e encarar sempre novos desafios. Com garra e determinação, os deficientes físicos entram em campo, quadra, pista ou piscina dispostos a superarem qualquer obstáculo em nome da vitória. Conheça um pouco mais dos nossos atletas "especiais", que praticam esporte de rendimento, e confirme que para ser um campeão basta ter vontade de vencer.

 

O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) é formado por cinco associações nacionais: Associação Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC), Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas, Associação de Desportos para Amputados, de Deficientes Mentais e Associação Nacional de Desportos para Deficientes. As modalidades disputadas são diversas: arco e flecha, atletismo, basquete, bocha, ciclismo, esgrima, equitação, futebol, golbol, halterofilismo, iatismo, judô, natação, rugby em cadeira de rodas, tênis, tênis de mesa, dança esporte em cadeira de rodas, tiro e vôlei, entre outras. Os atletas especiais também participam de esportes de inverno como esqui no gelo, esqui cross country e hóquei no gelo.

 

Os esportistas já trouxeram muitas conquistas para o Brasil e, se depender do esforço e dedicação deles, a torcida verde e amarela pode esperar muito mais. Entre os melhores resultados da temporada 2002 estão o segundo lugar no mundial de futebol para amputados e o nono lugar na Copa do Mundo de natação. A competição de futebol foi realizada em Sochi, na Rússia, e o Brasil disputou sete partidas: venceu três, empatou três e perdeu uma. A Seleção é a atual tricampeã da modalidade. E na natação paraolímpica foram 23 medalhas conquistadas na III Copa do Mundo (Mar Del Plata, Argentina), sendo 5 de ouro, 8 de prata e 10 de bronze.

 

O Brasil tem sete vagas garantidas no atletismo para a Olimpíada de 2004, notícia confirmada pelo Comitê Executivo de Atletismo, do IPC - Comitê Paraolímpico Internacional. Foram distribuídas 542 vagas e ainda restam mais 480 a serem definidas. O critério de escolha foi a análise dos resultados obtidos em julho, no Mundial de Lille, na França. Hoje, com estas sete vagas, o Brasil só é superado nas Américas pelos EUA, Canadá e México. A China é a campeã de vagas com 40 indicações. Seguem Alemanha, com 32 e Austrália e Grã-Bretanha, com 27 escolhas.

E em 2003 os atletas brasileiros encaram o ParaPan-Americano, que será realizado em novembro, em Brasília. Segundo o Comitê Paraolímpico Brasileiro, o paradesporto reúne cerca de 5 mil atletas no país.

Veja a seguir alguns dos destaques da Seleção Brasileira Paraolímpica:

 

Ádria Rocha dos Santos - Atletismo
Aos 25 anos, a mineira Ádria Rocha dos Santos - portadora de deficiência visual - soma quatro paraolimpíadas à sua carreira. Principais conquistas: duas medalhas de ouro na Paraolimpíada de Seul/88; cinco medalhas de ouro (incluindo duas no revezamento) no Pan-Americano da Argentina/95; medalha de ouro nos 100m rasos na Paraolimpíada de Barcelona/92; três medalhas de prata na Paraolimpíada de Atlanta/96; três medalhas de ouro no Pan-Americano do México/99; duas de ouro em Sydney/00.

Aurélio Guedes dos Santos - Atletismo
Medalha de bronze na Maratona de Lisboa que aconteceu em 1999; duas de ouro, nos 800m e 1.500m, nos Pan-Americanos de Buenos Aires, em 1995; três medalhas de prata, nos 800, 1.500 e 5.000m, no Latino Americano de 1994 em São Paulo. Na Maratona de Tóquio, realizada nos dois últimos anos (2001 e 2002), Aurélio conquistou respectivamente duas medalhas de prata. No Mundial de atletismo da França (2002), Aurélio conquistou mais uma prata.

 

Roseane Ferreira dos Santos (Rosinha) - Atletismo
Tem a perna esquerda amputada. Suas especialidades
são o lançamento de disco, dardo e arremesso de peso.
Na coleção de títulos e medalhas possui três de
ouro no Mundial da Nova Zelândia/99, três medalhas de ouro
no Pan-Americano do México/99 e duas de ouro em Sydney.

Adriano Gomes de Lima - Natação
Medalha de bronze no Mundial de Malta, em 1994, medalha de bronze na Paraolimpíada de Atlanta/96, dez medalhas de ouro no Sul-Americano de Mar del Plata/97, sete medalhas de ouro e recorde mundial no revezamento 4x50m no Pan do México/99. Esse é apenas um resumo do impressionante currículo de Adriano, que começou a nadar como parte do esforço de reabilitação, após ter ficado paraplégico devido a um acidente de trânsito. Natural de Natal/RN, Adriano conquistou três medalhas de prata em Sydney.

 

Luís Antônio Corrêa da Silva - Natação
Aos 19 anos, Luís Silva foi o grande destaque dos IV Jogos Brasileiros Paradesportivos Rio 2000, disputados em julho de 2002, onde bateu cinco recordes mundiais, sendo quatro individuais e um por equipe. Ele já era o detentor dos quatro recordes individuais e aproveitou as provas para melhorar ainda mais suas marcas. Todas as vezes que caiu na água durante a competição, Luís Silva conseguiu baixar seus tempos. Foi assim nos 50m livres (33s41), nos 50m borboleta (36s46), nos 100m livres (1min14s67), nos 200m livres (2min48s06) e no revezamento 4x50m medley (2min43s40). Principais conquistas: quatro medalhas de ouro e duas de prata no Mundial da Nova Zelândia/99; sete medalhas de ouro, três de prata e quatro recordes mundiais no Pan-Americano do México/99; Luís Silva tem amputação congênita (braço direito e das pernas).

 

Clodoaldo Francisco da Silva - Natação
Clodoaldo nasceu em Natal/RN, em 1979. Cadeirante, em razão de poliomielite, suas vitórias acontecem na natação nos estilos Mmdley e livre. É um atleta de resultados: em 1998, nos Jogos Paradesportivos do Rio, três medalhas de ouro; no ano seguinte, foi recordista mundial nos 4x50m medley com 2min43s9; em 1999, no Campeonato Mundial Nova Zelândia, três medalhas de ouro; também em 1999, no Pan-Americano do México, novamente três de ouro; em Sydney, foi bronze nos 50m livre, e prata nos 100m livre, nos 4x50m livre e nos 4x50m medley.

 

Fabiana Harumi Sugimori - Natação
Paulista, Fabiana nasceu em 1980 na cidade de Campinas. Deficiente visual, é a estrela da natação nas modalidades estilo livre e peito. Coleciona vitórias e medalhas. Em 1995,
no Campeonato Internacional de Madrid, conquistou três medalhas de prata; no Pan-Americano da Argentina, cinco medalhas de ouro; no Pan-Americano do México, chegou a cinco medalhas de ouro, nos 50, 100 e 200m livre e nos 50 e 100m peito. Nos Jogos Brasileiros Desportivos, em 2000, obteve quatro medalhas de ouro e, em Sydney, foi ouro nos 50m livre. No Mundial de natação realizado em Mar Del Plata, em dezembro de 2002, conquistou duas medalhas de ouro e uma de bronze.

 

Antônio Tenório da Silva - Judô
Atleta do IBDD (Instituto de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência) na categoria meio-pesado para deficientes visuais. É bicampeão paraolímpico - Atlanta e Sydney, medalha de ouro no Pan do México no da Argentina, campeão mundial em Colorado Springs, EUA, também em 1995.


O desempenho do Brasil nas últimas cinco paraolimpíadas

- Jogos Paraolímpicos na Inglaterra/EUA de 1984:

6 de ouro, 12 de prata e 3 de bronze

- Jogos Paraolímpicos de Seul em 1988
4 de ouro, 10 de prata e 13 de bronze

- Jogos Paraolímpicos de Barcelona em 1992
3 de ouro e 4 de bronze

- Jogos Paraolímpicos de Atlanta em 1996
2 de ouro, 6 de prata e 13 de bronze

- Jogos Paraolímpicos de Sidney em 2000
6 de ouro, 10 de prata e 6 de bronze

Total = 98 medalhas (21 de ouro, 38 de prata e 39 de bronze)

 

Nas últimas cinco olimpíadas, os atletas brasileiros sem deficiência conquistaram 32 medalhas. Os atletas paraolímpicos garantiram 98 medalhas nas últimas quatro paraolimpíadas. Nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, os brasileiros sem deficiência conquistaram 15 medalhas, e haviam mais de 200 atletas. Os atletas paraolímpicos brasileiros conquistaram 21 medalhas e haviam apenas 58 atletas. Em Sydney, o Brasil Paraolímpico levou 64 atletas e conquistou 22 medalhas, e ficou na 24ª colocação. O Brasil Olímpico levou 204 atletas e conquistou 12 medalhas (6 prata e 6 bronze), e ficou na 52ª colocação.

Fonte: Associação Desportiva para Deficientes (ADD)

 

Dicas de sites
IPC - Comitê Paraolímpico Internacional - www.paralympic.org
CPB - Comitê Paraolímpico Brasileiro - www.brasilparaolimpico.org.br
ABRADECAR - Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas - www.abradecar.org.br
ANDE - Associação Nacional de Desporto para Deficientes - www.ande.org.br
ABDEM - Associação Brasileira de Desportos de Deficientes Mentais - www.abdem.com.br
ABDA - Associação Brasileira de Desportos para Amputados - www.abda.org.br
ABDC - Associação Brasileira de Desportos para Cegos - www.abdcnet.com.br
ADD - Associação Desportiva para Deficientes (Magic Hands) - www.add.com.br
Cadeirantes - O Portal do Atletismo em Cadeira de Rodas - www.cadeirantes.com.br
Revista da Natação Paraolímpica - www.paradesporto.com.br

 

Por Renata Rondini