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ARGENTINO / Made in Brasil

Oscar Galindez nasceu na Argentina, mas mora em Santos/SP, onde treina para
se consolidar como um dos principais triatletas do mundo.

Você diz ser seu maior adversário. Quais são os seus limites?
Não tenho. Quem achar que tem limites não vence. Quem não desiste é o verdadeiro campeão, pois um dia consegue.

 

Quais os títulos que você persegue?
Meu grande objetivo é um título do Ironman do Havaí. Já participei de uma Olimpíada, em 2000, e já realizei este sonho. É claro que se uma medalha vier será excelente, no entanto, minha participação em 2004 depende da Federação Argentina, do apoio para buscar pontos em provas internacionais. Quanto ao Ironman, quem está entre os 20 classificados tem chance de, ao longo dos anos, alcançar uma medalha. Acredito que entre 3 a 5 anos, disputando a competição e dentro desta faixa de classificação, o atleta chegue ao pódio. Pretendo ganhar mais experiência em 2003 e ir melhorando meus resultados até conseguir realizar meu objetivo.

Existe uma ordem de prioridades?
O Ironman do Havaí, porque os outros, Pan-Americano de 2003 e Olimpíada, dependerão do calendário, das condições que terei para disputar e também da Federação Argentina. Minha prioridade é o Havaí.

 

Quais as condições que fizeram você trocar a Argentina pelo Brasil.
Estou no Brasil há 7 anos, mas há 15 disputo provas aqui. Na época em que decidi mudar, tinha o patrocínio da Reebok, sendo metade da empresa na Argentina e a outra do Brasil. Depois passou a ser só brasileiro, então, como já vinha competindo, gostava do País e meu patrocinador estava aqui, resolvi mudar. Primeiro, morei no Rio de Janeiro e depois vim para Santos. Na época da minha mudança (95), o Brasil estava vivendo um bom momento no triathlon, respirava mais o esporte que a Argentina.

Por que escolheu Santos para morar?
Santos é a cidade que teve mais provas de triathlon no Brasil, digo no sentido de melhor nível. Tenho amigos na cidade e a proximidade de São Paulo, por causa dos patrocinadores, ajuda.

Há quanto tempo é casado?
Estou casado com a Lisa há 7 anos e tenho dois filhos. O Thomaz nasceu na Argentina e está com 6 anos. A Sofia, que nasceu no Brasil, está com 2 anos.

 

É difícil ser argentino no Brasil?
Não. É difícil para quem carrega a rivalidade Brasil x Argentina. Existem as brincadeiras dos colegas, mas não passa disso. A minha relação no triathlon é como se fosse um jogador estrangeiro que vem para um clube brasileiro de futebol, vim para prestar um serviço, para colaborar com o esporte. Há quem goste ou não de mim, como também era na Argentina.

Por que você escolheu um brasileiro, Ayrton Senna, e não um argentino como ídolo?
Escolhi Ayrton Senna como ídolo pelo que ele representa, sem pensar na nacionalidade. Ele é um exemplo fora e dentro das pistas. Tento me espelhar nele. Ele era simples, "agressivo-controlado", sabia dominar uma competição. Digo agressivo não no sentido negativo, mas de uma pessoa corajosa, que sabia arriscar e fazer o melhor. Fora do esporte era tranqüilo e controlado. No triathlon sou assim, agressivo, estou sempre arriscando, ultrapassando, a melhor defesa é o ataque.

 

Descreva sua rotina de treino.
Realizo de 15 a 20 km de natação, 300 km de bike e 60 km de corrida por semana. Também faço musculação em dois ciclos, janeiro e junho, totalizando no ano o ideal 18 semanas. Por exemplo, para o Ironman enfatizei o trabalho de resistência e fortalecimento para evitar lesões e ganhar força. Treino em torno de 5 a 6 horas por dia, sempre de terça a domingo. Estou disputando menos provas por ano, no entanto com mais qualidade, porque caso contrário o físico não agüenta no Havaí.

Qual é o seu forte no triathlon?
O ciclismo.

E o ponto fraco?
Meu ponto fraco é a natação, portanto dou mais ênfase a essa modalidade nos treinos.

Como é composta sua equipe de trabalho?
Meu técnico é o Marcelo Borges e minha esposa administra minha carreira e também faz o trabalho psicológico. Médico, só quando há lesões.

 

Você tem 5% de teor de gordura e 54% de músculos. É possível melhorar mais fisicamente?
Acho que estes valores não variaram muito, apesar de não ter uma avaliação mais atual. Pode haver mudanças fisiológicas e físicas. No entanto, estes números não importam muito, o que vale é a performance.

Você disputa provas de várias distâncias, como a olímpica e o ironman. Qual o segredo para se dar bem nas duas?
O segredo é a boa preparação. E quando você define seu objetivo uma preparação não anula a outra, pois tudo é planejado para atingir uma meta.

 

Se tivesse que optar, com qual distância ficaria?
Atualmente com o Ironman. Se pudesse ficaria com as duas, pois existem provas olímpicas muito boas. Já o Ironman é o que me inspirou a fazer triathlon, esperei mais de 15 anos para participar da competição, tenho um respeito por ela. E a prova é a única que tem evoluído. Por exemplo, esperamos tanto por Sydney. Mesmo depois de se tornar olímpica a premiação não melhorou em outros eventos. Também não ajudou a atrair mais gente para o esporte. Pior, sem apoio os atletas têm que buscar pontos para a prova olímpica em eventos internacionais. No Ironman as inscrições são concorridas, todo mundo quer disputar.

 

Conte como foi seu início de carreira.
Em 1985 assisti uma prova do Ironman do Havaí pela televisão e achava aqueles caras uns malucos, como conseguiam completar a prova? E aí me despertou a vontade de fazer triathlon. Antes já tinha praticado atletismo e basquete. Entrei no triathlon em 86, disputei a minha primeira prova em 8 de novembro, em Embalse (Córdoba), era o Campeonato Estadual e Nacional na categoria menores. Fiquei em quarto lugar. Aos 18 anos fui campeão argentino e por aí minha carreira foi evoluindo.

 

Fale de sua participação em Sydney e dos problemas que enfrentou.
Avalio minha participação em Sydney como boa. Mesmo com problemas, fiquei somente há 2'35" atrás do primeiro colocado, o que me deu o 28º. A a prova olímpica é para nadador que corre bem, todo mundo vai no vácuo e na prova de bike tem muita sacanagem, os atletas não puxam e o ciclismo, que é o meu forte. Durante o ciclismo, eu estava num grupo de 30, então bateram na minha traseira e estouro um pneu, perdi quase 2 minutos para trocar e voltar a prova.

O que falta para os sul-americanos conseguirem maiores resultados internacionais?
Os sul-americanos têm que acreditar no potencial deles, não ajoelhar diante dos estrangeiros. E, é claro, precisam de mais apoio de patrocinadores, federações e organizações

O que americanos e australianos têm, que nós não temos?
Nós temos raça, o que eles não têm. A situação do país também reflete no esporte, enquanto eles têm uma condição de acesso a bons materiais e apoio para treinar, os sul-americanos não têm, então, fica difícil igualar a preparação.

 

Como é sua alimentação?
Faço geralmente de 4 a 6 refeições, não sigo nenhuma dieta, pois acredito que cada atleta tem que encontrar sua alimentação ideal. Tento manter uma regra de 60% carboidrato, 20% proteína e o resto de gordura. Evito frituras e tento controlar doces, o que é um grande problema. Sou louco por doces. Também tomo multivitamínico e aminoácidos.

Que dicas dá para quem sonha em ser um campeão de triathlon?
Acreditar no trabalho que está realizando, confiar na equipe de trabalho e ter paixão pelo esporte.

Qual é sua estratégia durante as provas?
A melhor defesa é o ataque. Sempre tento arriscar, aguardando o momento certo,quando há vácuo. Quando não há, procuro sair bem no início, principalmente na bike, que é meu ponto forte.

 

Você tem 31 anos. Acredita estar no auge da carreira? Até quando é possível competir em alto nível no triathlon?
Acredito que estou no auge. Acho que é por estar no triathlon há quase 17 anos e pela experiência que adquiri e as conquistas que tenho. O limite para competir é até quando você não ganhar mais, o tempo é relativo de cada atleta.

 

 

FICHA TÉCNICA

Nome: Oscar Saul Galindez
Data de nascimento: 05 de junho de 1971
Local de nascimento: Rio Tercero - Córdoba - Argentina
Profissão: Triatleta Profissional
Treinos e competições: Desde 1986
Altura: 1,75m
Peso: 74 kg
Melhor tempo em 1 km de corrida: 2min38
Melhor tempo em 400 metros de natação: 4min51
Melhor tempo em 5 km de ciclismo: 6min

 

PRINCIPAIS CONQUISTAS

Top Ten no Ranking Mundial de Triathlon: 1992, 1993, 1994, 1995, 1996

Campeão Mundial de Duatlhon: 1995, Cancun - México

Dez Vezes campeão Argentino de Triathlon

Hexacampeão Sul-Americano de Triatlhon

Pentacampeão Pan-Americano de Triathlon

Hexacampeão do Troféu Brasil