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Automobilismo

A crise e os contrastes do automobilismo mundial

 

Poucos imaginariam, há pouco mais de três anos, que a Ferrari conseguiria chegar ao domínio da Fórmula 1 após longos 21 anos de jejum.

Mas nem os mais pessimistas poderiam prever que, conquistada essa superioridade, a escuderia italiana colocaria a categoria em crise.

N
o mundo inteiro o esporte a motor dá sinais de estagnação e, mesmo com seu mais famoso time fazendo temporadas irrepreensíveis, comandado por um piloto fora de série, a Fórmula 1 não é exceção: em busca de mais competitividade para atrair o público e de menos gastos para manter pelo menos as 10 equipes que tem hoje, adotou novas regras, na esperança da retomada das emoções das corridas nos anos 60 e 70.

 

   

Tais problemas não atingem somente a poderosa Fórmula 1, mas também suas “categorias de base”, como as fórmulas 3 em toda a Europa e também na América do Sul, que andam sem prestígio e até com casos de doping, deixando para trás sua principal característica: formar pilotos de monocoque, uma vez que os pilotos estão chegando à Fórmula 1 cada vez mais jovens, como Kimi Raikkonen, piloto da McLaren, que chegou à categoria aos 21 anos, sendo apenas 2 deles no automobilismo.

 

 

Essa estagnação pela qual passa o esporte a motor já dá sinais claros de estar atravessando o Atlântico, com a cada vez mais iminente falência da Fórmula Cart, antiga Indy, que um dia mostrou-se capaz de rivalizar com a Fórmula 1, utilizando um regulamento todo em prol da competitividade, mas que acabou perdendo o nome e o terreno para uma liga paralela, criada pelo proprietário de Indianápolis, Tony George, no final de 1995.

Entretanto, foi apenas ao final de 2001, quando o maior time da Cart, a Penske, após conquistar o título com Gil de Ferran, deixou a categoria para ingressar na Indy Racing League de George, que a crise ficou mais séria. No intuito de salvar a categoria, várias mudanças técnicas foram feitas no regulamento, o que acabou fazendo com que a Cart perdesse seu maior triunfo, a competitividade, enquanto a Indy não pára de crescer, principalmente devido ao prestígio de abrigar as 500 Milhas de Indianápolis.
Pelo menos aparentemente alheia a tudo isso, a Nascar continua a crescer nos Estados Unidos, absorvendo inclusive pilotos de monocoques, como o brasileiro Christian Fittipaldi, e esbanjando competitividade em corridas com mais de 40 pilotos, mais do que a metade do número de pilotos da toda poderosa Fórmula 1 em 2003.

 

   


As diferenças

Fórmula Indy, Fórmula Cart, Fórmula Mundial, IRL... Desde o final da temporada de 1995, o público brasileiro teve que decifrar a qual categoria os meios de comunicação se referiam.

A Fórmula Indy, campeonato disputado desde o início do século XX, controlado por uma entidade chamada Cart e cuja corrida mais tradicional era as 500 Milhas de Indianápolis, existiu nesses parâmetros até o final da temporada de 1995.

 

 

Ao final dessa temporada houve uma cisão entre a Cart e Tony George, proprietário do circuito de Indianápolis, que se recusava a ceder seu autódromo para corridas da categoria.

Sem as 500 Milhas, que davam nome à Indy, a Cart colocou seu próprio nome na categoria, a Fórmula Cart. Por temerem que o nome não pegasse no Brasil, adotou-se o nome Fórmula Mundial, o que confundiu ainda mais o telespectador.

As 500 Milhas de Indianápolis fazem parte do campeonato criado por George em 1996, a IRL – ou Indy Racing League – que por aqui muitas vezes é chamada de Fórmula Indy.

 

Por Julianne Francia Cerasoli