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Revezamento

Corridas de revezamento transformam competição em festa
e ganham cada vez mais adeptos


Correr é um ato de celebração à vida, à saúde, ao bem estar de corpo e alma. Correr é tudo isso. Mas é, essencialmente, uma ação solitária, especialmente em competições. Isso se você nunca participou de uma prova de revezamento. O crescimento desse tipo de modalidade agregou companheirismo, solidariedade, descontração e, principalmente, alegria, à corrida. Resumida em uma expressão, é a verdadeira festa do esporte. Não importa tanto a colocação, o pódio. Importa participar, fazer parte de um grupo de amigos unidos em torno de um objetivo: cruzar a linha de chegada. Juntos.

 

A cada evento, o número de participantes aumenta estrondosamente e confirma que a dobradinha disputa + amizade dá certo. Uma das principais provas da modalidade do Brasil, a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, tem previsão de reunir, na décima edição, 25 mil pessoas. No ano de estréia, em 1993, foram ‘apenas’ mil inscritos. E novas competições surgem para buscar um parte dessa fatia de mercado.

 

Os números comprovam que o Brasil se rendeu ao revezamento. Em Florianópolis, Santa Catarina, é disputada uma das mais tradicionais provas do gênero, a Volta à Ilha, que contou com a participação de 1.520 atletas em sua oitava edição. O número é 690% maior em relação ao ano de estréia. E não é apenas a população local que participa. Cerca de 60% dos inscritos são do Estado de São Paulo.

 

 
 

A Ilhabela Corpore Terra & Mar teve, em sua terceira edição, cerca de 500 participantes, extrapolando o número previsto de inscrições. “A idéia inicial era abrir a prova para 60 equipes, mas acabaram participando 84. A prova de Ilhabela está no seu limite de participantes. O crescimento só não é maior, porque você tem que limitar o número de equipes”, confirma Armando Santos, diretor da Corpore (Corredores Unidos de São Paulo).

 

 

Segundo Mário Sérgio Andrade Silva, diretor técnico da equipe Run & Fun, a prática da corrida é muito solitária e, por isso, as corridas de revezamento são um grande sucesso. E o poder de atração da competição é comprovado. “Ela tem um poder de massificação muito forte. É uma grande isca para atrair novas atletas. As pessoas acabam se alertando para o treinamento.”

A coordenadora de projetos esportivos do Pão de Açúcar, Renata Araújo Gomide, também acredita que o caráter festivo é o principal atrativo. “O objetivo é de confraternização entre as equipes. Não há um perfil de participantes, todos que gostam de atividade física não perdem a oportunidade de correr ao lado de amigos e familiares, sem a obrigação de resultado. Não é obrigatório ser atleta para disputar”.

Não há regra geral, cada evento formaliza seu regulamento de acordo com as próprias características. De acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), até hoje, a entidade não recebeu nenhum pedido de regularização por parte de promotores de corridas de revezamento, que preferem manter o caráter promocional dos eventos. Para o diretor da Run&Fun este é um ponto a favor da expressiva participação dos corredores. “Regulamentos superprofissionais afastariam os grupos amadores. Além disso, as provas são realizadas em condições diversas. Por isso são necessárias regras específicas”.
Segurança
O revezamento é democrático, mas precaução e cuidados são bem-vindos. O técnico Diego Lopez recomenda que a prática seja feita por alguém que tenha conhecimento de atletismo. “Apesar de a prova atrair mais pessoas, não pode ser praticada por alguém que começou a treinar agora. O atleta tem que ter uma bagagem mediana”. Os organizadores dos eventos também aconselham que os participantes passem por uma avaliação médica e sigam as orientações de profissionais de Educação Física antes de darem a largada.

Multidão
As milhares de pessoas que competem em corridas por equipes formam uma tribo eclética. Gente de todas as idades e níveis sociais divide o prazer da competição sem maiores compromissos. O treinador Marcos Paulo Reis lembra que a modalidade tem ainda a vantagem de “fazer com que o corredor tenha a sensação de ter cumprido uma distância maior por trabalhar em equipe.”
'Um por todos. Todos por um’.

 

Por Fernando Evans e Renata Rondini
Fotos: Leonardo Soares
Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (jul/03)