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Oásis paulistano

Com muito verde e percursos variados, a USP se consolida como o
paraíso dos corredores e ciclistas em São Paulo


Fundada em 1934, a Universidade de São Paulo é referência internacional em qualidade de ensino público e pesquisa. Instalada desde 1968 na Cidade Universitária, é hoje o maior centro de produção e retransmissão de conhecimento do Brasil e o terceiro da América Latina. O que muita gente não sabe é que na USP não se trabalha apenas a cabeça. O corpo é devidamente estimulado. Desde a década de 90, o campus é invadido por corredores, ciclistas e caminhantes que consideram o local a melhor opção para quem busca saúde por meio da atividade física.s.

 

Todo sábado, especialmente os de bom clima, a USP recebe cerca de cinco mil corredores, ciclistas e caminhantes. Espalham-se pelos diversos percursos e vias para dar mais vida e colorido ao local. Atividade física é coisa séria na universidade. Prova disso são as 58 tendas dos técnicos e equipes espalhadas pela USP, que oferecem suporte e assistência aos corredores e alunos.

 

Mara Pezzotti, do Projeto Correr, conta sempre ter freqüentado a USP. O pai trabalhava na universidade e, desde criança, pôde aproveitar o espaço para andar de bicicleta, jogar bola e passear. Agora, sua atividade é a corrida. Como contribuinte, ela tem o direito ao uso de uma universidade pública, e entende que a comunidade tem de adotar e zelar por ela como se fosse sua própria casa e não tratá-la como terra de ninguém.

 

 
 

Eliana Reinert, professora de Mara no Projeto Correr e também do Clube Pinheiros, freqüenta a USP com seus alunos há 10 anos. Ela acredita que com o apoio e colaboração da Prefeitura da USP existe uma excelente perspectiva de trabalho direcionando os espaços do campus. Segundo a treinadora, os alunos adoram a variedade de percursos e acham fundamental para os treinamentos de 6 km à maratona em uma cidade como São Paulo.

 

 

Miguel Sarkis é um dos mais antigos freqüentadores da USP e, coincidentemente, sua tenda é a primeira que se vê quando se chega no campus. O treinador acredita que o local completa uma relação quase familiar que tem com seu grupo de alunos. Cita a variação de percursos em quantidade e qualidade, com pisos diferenciados, e a motivação de ver um grande número de pessoas correndo como os pontos mais positivos do campus. Mas, ao mesmo tempo, lembra que a falta de banheiros (principalmente para as mulheres) e o tráfego são os problemas a serem corrigidos.

História
O presidente da ATC (Associação de Treinadores de Corridas de São Paulo), Claudio Castilho, acredita que a procura pelo campus universitário aumentou no início da década de 90, quando houve um “boom” da corrida. “A mídia começou a divulgar para a grande massa os benefícios do esporte e também houve um crescimento no nível das provas. Estes fatos fizeram com que a procura pela corrida aumentasse e houve uma invasão da USP, pelos adeptos e treinadores, além das pessoas que fazem atividade esportiva.”

Segundo o prefeito da USP, José Geraldo Massucato, a realização de evento cultural e exposição na mídia colaboraram para a popularização do campus. “Há 12 anos, o campus sediava o programa “Bem Brasil”, da TV Cultura. Era aos domingos pela manhã e fez com que as pessoas conhecem mais o local. No entanto, esta iniciativa trouxe alguns problemas, como a sujeira excessiva e depredação, o que gerou a regularização do horário de uso do campus”. Atualmente, a USP tem as portarias abertas ao público das 6h às 23h de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 7 às 14h. Não abre mais aos domingos.

 

Equipes
As equipes de corrida dentro da USP também aumentaram com o tempo, o que gerou o protocolo que regulariza a utilização do espaço pelas tendas dos técnicos, implantado em janeiro deste ano. Atualmente, 58 equipes têm estrutura montada no local e o principal problema enfrentado é a superpopulação em determinadas áreas, como a Av. da Raia. “Tivemos a preocupação de, quando implantamos o protocolo, não alterar a posição ocupada pelas equipes há anos. Então estamos resolvendo o problema de superpopulação da Raia aos poucos, quando um ponto é desocupado não substituímos. Com um regulamento para o uso, os conflitos e problemas diminuíram”, afirma Castilho.

O campus também é palco de competições. Em 2002 foram realizadas quatro provas no local. Neste ano serão seis. Segundo o diretor de operações da USP, Ronaldo Elias Pena, o número vem crescendo principalmente devido à carência de espaços na cidade de São Paulo para a prática esportiva ao ar livre e realização de eventos.

 

Por Sergio Coutinho Nogueira e Renata Rondini
Fotos: Leonardo Soares
Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (ago/03)