.................................................................................................................................................................................................................
Lombalgia


A vilã da atividade física

 

Conhecida popularmente como dor nas costas, a lombalgia é uma das grandes causas de morbidade e incapacidade funcional, tendo incidência apenas menor que a cefaléia entre os distúrbios dolorosos que mais acometem o homem. Cerca de 80% das pessoas têm algum tipo de dor lombar em alguma fase da vida. De forma preventiva, a atividade física contribui imensamente no tratamento. Nem mesmo atletas ou praticantes de corridas de longa distância estão imunes.

 

O tipo mais comum de lombalgia entre os praticantes de atividade física é a de origem mecânico-degenerativa, caracterizada por uma alteração funcional das partes envolvidas, na qual o excesso de peso, sobretudo da região abdominal, e o encurtamento da cadeia muscular posterior, que inclui os músculos da região lombar, músculos da parte posterior da coxa, da panturrilha e planta do pé, contribuem de forma importante para a origem do problema.

 

A dor ocorre por um problema mecânico. Os músculos não estão suficientemente alongados para permitir uma amplitude total de movimentos do tronco e quadril, e, dessa forma, sofrem mínimas lesões por estiramento durante posturas inadequadas ou movimentos bruscos, resultando em uma resposta de espasmo muscular, ou seja, uma sensação de “travamento nas costas”, segundo os pacientes.

A degeneração de estruturas ósseas e não ósseas (tendões e ligamentos) ocorre não só em função da idade, mas, sobretudo, pelo sedentarismo. Por desuso, o músculo se atrofia e ocorre uma diminuição da flexibilidade da coluna dorso-lombar e comprometimento da capacidade de alongamento das cadeias musculares ao lado da coluna vertebral. É fundamental que os corredores e praticantes de atividade física em geral, se conscientizem da importância dos exercícios específicos de alongamento e fortalecimento da musculatura lombar para a prevenção de dores nas costas.

 

 

Os exercícios de alongamento devem ser feitos de forma contínua e progressiva, sem sobressaltos, até o limite da dor, quando o atleta deve permanecer na posição alongada durante 20 a 30 segundos, preferencialmente sentado e trabalhando tanto os músculos dos membros superiores quanto inferiores.

Os exercícios de fortalecimento devem envolver a musculatura das colunas musculares ao longo da coluna vertebral e a musculatura abdominal, pois esta exerce função importante no suporte para as costas. O excesso de peso na região abdominal é outra causa na ocorrência das lombalgias, pois muda o centro de gravidade do corpo, exercendo sobrecarga constante sobre a lombar e facilitando o surgimento de lesões. Os abdominais devem ser feitos com os joelhos e cotovelos flexionados e com as mãos tocando ligeiramente a nuca. Objetivam o fortalecimento da musculatura e não redução de peso localizada.

 

A lombalgia é um sintoma que pode estar relacionado a certas doenças e são poucos os pacientes que têm um diagnóstico definido durante a avaliação inicial. O exame clínico apresenta dor à palpação e à movimentação das cadeias musculares próximas à coluna vertebral. O paciente apresenta dificuldade em movimentar o tronco em direção aos joelhos estendidos e a dor piora no final da tarde, podendo se agravar com a movimentação excessiva ou o estresse emocional.

 

Durante a crise, o tratamento deve incluir repouso relativo, no qual as atividades de vida diária podem ser mantidas. Exercícios leves de alongamento devem ser feitos e o uso de medicação analgésica/antiinflamatória e suporte psicológico podem ser incluídos quando necessário. Após a crise, começa a parte mais importante do tratamento: orientação sobre o problema enfrentado e as medidas necessárias para evitar nova ocorrência.

 

 

Por Dr. José Marques Neto
Atende na Clínica Paulista de Esportes
(jmarquesneto@hotmail.com)

Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (Ed. 17)