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Lesões em triatletas

 

As lesões relacionadas à natação, ciclismo e corridas

 

 

Poucos estudos determinam o perfil de lesões apresentado por atletas de triathlon. Um estudo de Cipriani et al (1998) realizou uma revisão descritiva sobre o esporte e a prevalência de lesões no mesmo. No entanto, muito já se sabe sobre o perfil de lesões apresentado nos diferentes esportes que compõem o triathlon, especialmente na corrida.

Os esportes cíclicos de longa duração, como o triathlon, mostram-se especialmente favorecidos por programas de atenção preventiva, pois o padrão de lesões apresentado por estes esportes depende diretamente de características estruturais do atleta e do planejamento de seu treinamento, raramente vinculando-se a eventos traumáticos apresentados pelos esportes coletivos e de contato.

 

Parece claro que haja um alto índice de lesões em articulações e grupos musculares de membros inferiores, já que se encontram constantemente sob forças impactantes de sustentação do peso corporal durante a corrida e exercem importante força motriz durante o ciclismo.

 

É importante observar que o triathlon, assim como outros esportes, pode apresentar duas diferentes classes de lesões, consideradas típicas e atípicas. As lesões típicas são as mais freqüentes; as lesões atípicas são comumente acidentais, incomuns à modalidade esportiva e podem ocorrer eventualmente durante o treinamento ou competição.

A seguir, são apresentadas as lesões mais comuns, ou típicas, de cada modalidade individual que compõe o triathlon.

 

 

Natação
Lesões relacionadas diretamente com a natação geralmente envolvem o ombro (75%) em problemas ligados ao impacto, comum aos tendões dos músculos supraespinhoso e bíceps braquial.

O treinamento para o aumento da resistência muscular do nadador triatleta e estratégias técnicas para ganho de eficácia no nado, economizam energia para as etapas seguintes do triathlon, o que significa retardo da fadiga e assim, prevenção de lesões.


 

Ciclismo
Batidas e quedas (73%) são acidentes que podem ou não ser evitados e costumam ser importantes com relação à gravidade das lesões. As lesões relacionadas ao overtraining comumente envolvem o joelho, na forma da síndrome da banda iliotibial e da dor anterior do joelho, o tornozelo, sendo a tendinite de Aquiles bastante comum.

Além disso, as lombalgias e ciatalgias têm sido referidas, assim como a síndrome do piriforme de compressão do nervo ciático. Um dos fatores relacionados à prevenção das lesões por overuse no ciclismo é o desenvolvimento gradual do programa de treinamento. Outro fator importante é a forma da bicicleta, sobre a qual já se encontra grande quantidade de literatura disponível. Para a proteção da articulação do joelho, o ganho de força muscular de quadríceps e isquiotibiais garante maior eficiência durante as pedaladas e protege o joelho de estresse adicional.

 

 

Corrida
Estudos epidemiológicos notaram que a maioria das lesões relacionadas ao triathlon ocorre durante o treinamento de corrida. Atualmente, o treinamento de corrida utiliza distâncias cada vez maiores com o objetivo de melhorar a capacidade de resistência do atleta.

No entanto, a alta quilometragem pode potencializar os efeitos deletérios de uma alteração anatômica de base qualquer, que possivelmente pudesse ser tolerada durante a maioria dos eventos e atividades esportivas.

A insuficiência de força e resistência muscular não satisfaz as demandas repetitivas do treinamento originando vulnerabilidade biomecânica e produzindo lesões em músculos, tendões, e causando reações de estresse em ossos. Além disso, os erros de treinamento envolvendo aumento de quilometragem muito rapidamente, treinamento de velocidade, e treinamento em ladeira podem estar envolvidos no surgimento das lesões.

 

As lesões que mais acometem os corredores são: síndrome da dor patelofemural (11,6%), fraturas de estresse (9,3%), síndrome de estresse tibial (7,8%), distensão dos músculos adutores (6,0%), distensão dos músculos isquiotibiais (5,2%), entorses de tornozelo (4,9%), fasceíte plantar (4,0%), síndrome da banda iliotibial (3,8%), apofisite ilíaca (3,4%), tendinite de Aquiles (2,2%) e tendinite patelar (2,2%). Sendo que a maioria delas ocorre como resultado do overuse.

 

   

Nos estudos revisados por Cipriani et al (1998), não houve associação entre as variáveis de treinamento de triathlon e a suscetibilidade às lesões. Assim, a ocorrência de lesões é apenas parcialmente relacionada à freqüência de treinamento real, intensidade e quilometragem, sugerindo que outros fatores, inclusive ambientais, psicológicos, biomecânicos, e nutricionais desempenham papéis determinantes para o surgimento das lesões.

 


Por Thais Guisande
Fisioterapeuta
Referência: CIPRIANI, D.J., SWARTZ J.D., HODGSON, C.M. Triathlon and the Multisport Athlete. JOSPT, v.27, n.1, 1998. p.42-50.

Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (Ed. 25)