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Quem tem medo do frio?

 

Tenha cuidado na hora de executar o treino e garanta a performance em provas

 

 

“Durante o inverno, a massa de ar seco que está sobre o continente impede que as massas de ar frio, as quais gerariam uma elevação de umidade, atinjam determinadas regiões. No período da tarde, a umidade é ainda menor. Por exemplo, em alguns dias de junho, a umidade relativa do ar em São Paulo era de 66% pela manhã. Às 15h, registrava apenas 42%”, explica a meteorologista Luciene Dias, do 7º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizado na capital paulista.

 

De acordo com os profissionais de atletismo, a condição ideal para os corredores é que a umidade relativa do ar esteja em torno de 60%. Medições abaixo desta marca provocam desconforto para as vias aéreas. Por outro lado, registros acima dos 60% geram desgaste maior no atleta em função da troca de água (transpiração) com o ambiente ficar prejudicada.

 

 

O médico do Clube de Atletismo BM&F Paulo Zogaib explica que nos dias frios o organismo perde energia para preparar as condições ideais para o ar atingir os pulmões. “Durante o inverno, o corredor inspira um ar muito frio e seco. O ideal é o ar estar em torno de 36ºC e repleto de água, umidificado. Então, se está frio e seco, o organismo perde calor para aquecê-lo e água para umedecê-lo.”

 

Nesta estação, orienta-se correr pela manhã, em locais bastante arborizados, se possível com uma lagoa próxima, para aproveitar a melhor condição de umidade e temperatura. No final de tarde e noite, os termômetros ‘caem’, o índice de vapor d’água no ar é reduzido e o índice de poluição, em grandes centros, como São Paulo e outras capitais, se eleva.

 

 
Aquecimento
Nos dias frios, o organismo tem gasto energético maior para manter a temperatura interna em torno de 37ºC. Os exercícios de aquecimento e alongamento devem ser feitos com maior atenção para preparar a musculatura para a atividade física, conseqüentemente evitando lesões. O tempo de aquecimento deve ser de 10% a 20% maior em relação aos dias mais quentes. Para prevenir dores e acelerar a recuperação da musculatura, o alongamento após o exercício também é essencial, além de melhorar a flexibilidade.

 

Agasalhe-se
Se bem agasalhado, o corredor não fica exposto a gripes e resfriados. Usar várias roupas leves proporciona isolamento maior contra o frio do que uma peça espessa. À medida que o corpo aquece e o atleta sente calor, é possível remover as camadas, evitando um choque térmico e, dessa forma, exercitar-se carregando menos peso. Nunca deve-se usar roupas de plástico ou borracha para correr, porque elas interferem na evaporação da transpiração pela pele.

Gorro e luvas (se a temperatura for muito baixa) também são aconselháveis como proteção. Isso porque se perde cerca de 40% de calor pelas extremidades do corpo. Após o treino ou prova, é recomendado trocar as peças de roupa suadas por secas e proteger a musculatura para que ela não esfrie rapidamente.

 

Rendimento
Com temperaturas mais amenas, o atleta corre num estado confortável por mais tempo. No inverno, o desgaste é menor. É um bom período para realizar treinos mais longos e provas duras pelo fato de o organismo não sofrer tanto com o suor excessivo, fadiga, etc.

 

PROBLEMAS DECORRENTES DA BAIXA UMIDADE RELATIVA DO AR

• Complicações respiratórias devido ao ressecamento de mucosas
• Sangramento pelo nariz
• Ressecamento da pele
• Irritação dos olhos
• Eletricidade estática nas pessoas e em equipamentos eletrônicos
• Aumento do potencial de incêndios em pastagens e florestas

 

MAIS DICAS

* Procure manter uma alimentação balanceada.

* Use roupas apropriadas e mantenha-se seco. Coloque várias camadas para estabelecer um melhor aquecimento e dê preferência para os tecidos inteligentes, que ajudam a manter a temperatura do corpo, evitando que a camiseta fique molhada.

* Extremidades, como mãos e pés, também merecem atenção. Proteja-os com luvas e meias especiais.

* Após o treino ou prova, troque a roupa molhada por seca de imediato.

* Mantenha a hidratação.

* Atenção aos exercícios de aquecimento.

* Na medida do possível, escolha horários mais quentes e com bom índice de umidade para correr, como a manhã.

* Não deixe a preguiça atrapalhar a sua preparação.

* Para os corredores mais suscetíveis a gripes, resfriados, ou seja, queda de imunidade, enriqueça a alimentação com vitamina C.

 

 

Por Renata Rondini e Rubens Morelli
Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (Ed. 31)